terça-feira, 17 de novembro de 2015

Como analiso na prática os indicadores para escolha de ações utilizando Décio Bazin



Neste post, pretendo explicar como faço para selecionar as ações segundo os critérios de Décio Bazin e como faço para analisar o se devo manter ou vender a ação.

Bem, primeiramente, temos que fazer uma seleção das ações que pagaram dividendos de mais de 6% ao ano, durante pelo menos 3 anos.

Até o começo deste ano, a Bovespa publicava um arquivo com todos os dividendos já pagos por todas as ações do mercado, desde 1998, pelo menos. Infelizmente, a Bovespa parou de publicar o arquivo e temos que coletar os dados na mão, através do link: http://www.bmfbovespa.com.br/cias-listadas/empresas-listadas/BuscaEmpresaListada.aspx?idioma=pt-br

Felizmente, consegui baixar o arquivo mais atualizado até o começo do ano e assim tenho os dados desde 2012 até 2014, que era o que interessava para fazer a seleção preliminar de Décio Bazin.

Dessa maneira, fiz uma seleção das ações da seguinte maneira:
- Somei os valores dos proventos pagos por ano (2012, 2013 e 2014).
- Fiz a média dos preços das ações nas datas dos pagamentos de proventos.
- Fazendo-se a conta, chegamos nas ações que pagaram consistentemente 6% de proventos, durante os últimos 3 anos.

Depois de obter esta lista preliminar, retirei da lista as ações repetidas, ou seja, se existe PN e ON da mesma empresa, descarto aquela que tem menos liquidez.

Vou no fundamentus : www.fundamentus.com.br, e pego os valores de liquidez das ações, corto todas as ações com liquidez menor do que 106.500 reais.

Em janeiro de 2015, comprei valores iguais (cerca de 4000 reais) de cada uma das ações selecionadas. Guardei em um planilha os valore iniciais pagos, ou seja, se comprei 100 ações de BBAS3 a 40 reais, abro uma planilha de Excel e guardo que comprei 4.000 reais de BBAS3 em janeiro de 2015.

Em janeiro de 2016, atualizarei o valor de 4.000 pela inflação. Veja bem, não vou pegar o valor da ação e multiplicar pela quantidade que tenho. O que farei é atualizar o valor MONETÁRIO pago pela inflação. Supomos que a inflação foi de 10%, atualizo o valor para 4.400 reais, não importa se BBAS3 está em 50 reais ou 30 reais.

Pego todos os valores de proventos pago pela ação e atualizo pela inflação também. Faço a conta e se o valor pago de proventos  atualizado no ano for maior ou igual a 6% do valor MONETÁRIO atualizado, mantenho a ação.

Se for menor que 6%, mantemos a ação por mais um ano. Se durante dois anos seguidos a ação não tiver proventos de 6%, vendemos a ação.

Fazemos as compras das ações normalmente durante o ano. Porém, se o valor de proventos durante o ano ficar menor do que 6%, não compramos mais ações, porque a ação ficou cara. Porém não vendemos, porque como mencionado anteriormente, vendemos se os proventos não remunerarem o valor MONETÁRIO inicial.

Complicado? Pra caramba! Demorei um tempo para destrinchar o que o Décio Bazin dizia no livro, ainda mais porque no livro o Décio utiliza o dólar, porque era a época da hiperinflação (que vai voltar graças aos petralhas). Adaptei para índices de inflação porque o câmbio é extremamente manipulado no Brasil.

Mês que vem destrincho como faço para selecionar as ações usando Benjamin Graham.

Grande abraço!

8 comentários:

  1. Sinceramente eu considero este método meio ruim... pois ele foca muito em dividendos... quando se analisa uma empresa p/ investir, os proventos pagos é apenas um dos itens a serem estudados... eu prefiro o método do Warren Buffett, quando ele fala que devemos "casar" com empresas boas, fáceis de entender, bem administradas e que tenha uma "vantagem competitiva duradoura". Recomendo você ler o livro "As Escolhas De Warren Buffet". Um abraço.

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  2. Cara,
    Você deve ser um clone meu, faço EXATAMENTE as mesmas coisas que você para escolher as ações que vão compor a minha carteira, inclusive os 2 livros que tenho como base. Acredito que a única diferença seja que dou um toque especial aos critérios, como, por exemplo, começar a busca pelas ações do IDIV e buscar os balanços das empresas diretamente no site do Bovespa. Também tenho uma base de dados considerável nestes meus anos de investimentos. Você tem renda fixa na carteira? E você mora no ABC também?

    www.nzofinancas.com.br

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  3. Olá Anônimo, eu utilizo o método a menos de um ano. Acredito que possa ter uma avaliação de como funciona com um pouco mais de tempo. A mim me parece um método lógico, porque se a companhia paga frequentemente mais de 6% de dividendos REAIS, ou seja, em moeda forte ou corrigida, é uma companhia robusta, prova de que a sekeção que faço tem companhias tradicionais que grandes investidores possuem, como a Eternit, Banco do Brasil, Vivo, CESP, por exemplo. Estas ações fazem parte das carteiras de Lírio Parisotto e Luiz Barsi, por exemplo. Se o yield cai, significa que a ação subiu de preço, neste caso você não compra mais, mas capitaliza o valor já investido em 6% ao ano. Ou pode ser que a empresa ficou ruim, como foi o caso da Cemig ou da Eletropaulo, neste caso, está na hora de vender. Vamos ver o que acontece daqui a alguns anos. Meu foco é longo prazo e no longo prazo as boas pagadoras de dividendos sempre deram alegrias aos investidores. Grande abraço!

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  4. Caro NZO, obrigado pelo comentário. É sempre bom encontrar pessoas com pensamentos semelhantes e que têm sonhos semelhantes também. Eu acho mais prático utilizar o Fundamentus, mas claro que o site da Bovespa deveria ser o canal principal do investidor. Eu acho apenas pouco prático a sua utilização. Tenho renda fixa sim, basta ver os posts que detalho no final do mês para o ranking do Pobretão. Como meu próprio nick dá a dica, sou do ABC, sim. grande abraço e bola pra frente!

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  5. Esse livro é muito legal, e é um dos meus preferidos... Gosto dos contos do aquário, a crônica inteligente e bem escrita.
    Para quem busca fluxo de caixa vai se identificar muito com esse livro.
    Além de mostrar que renda variável não é conto de fadas e está sujeito a muita manipulação.
    Legal vc replicar o modus op. dele, só que com a correção pelo IPCA e não pelo cambio vamos ver o resultado daqui alguns anos...
    Grande Abraço

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  6. Oi Catarrento (kkk, desculpe)!
    Obrigado pelo comentário. Este livro praticamente caiu na minha mão e acredito que por causa das chamadas sincronicidades do Universo, vai ser o fator da evolução patrimonial de todos aqueles que leram.

    Grande abraço amigo!

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  7. Acredito que o ideal para avaliar uma empresa, seria levar em conta não só os proventos que a empresa paga, e que são muito importantes como também o potencial de crescimento da empresa ao longo do tempo e a evolução do seu patrimônio líquido.

    Porque eu já ví empresa que paga bons proventos para atrair investidores, mas tem o seu patrimônio líquido sendo reduzido ao longo do tempo como que se ela estivesse se canibalizando para manter esses pagamentos.

    E depois de um tempo quem tem a informação interna de que algo vai mal vende as ações, seu preço cai, indicando que é uma boa oportunidade de compra, quando na verdade a empresa pelos seus controladores percebe que seu futuro está comprometido.

    E quem compra achando que é uma oportunidade vê seu capital evaporar porque as cotações despencam rápidamente não dando chances de uma saída sem prejuízo.

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    1. Olá amigo, obrigado por ler o blog. Não me leve a mal, mas eu gosto de analisar os casos práticos, ou seja, realmente vendo se o método dá certo ou não na prática. Na prática, o método para mim vem sendo muito bom. Vejamos: utilizando o método, realizei a compra de Sanepar, Eletrobrás, CSN e outras, que têm dado mais de 200% de lucro até agora. Tive prejuízos sim, mas o que observo é que o método é bom. Quais foram as empresas em que aconteceram o caso que você mencionou de atrair investidores para depois canibalizar o patrimônio líquido?

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