quinta-feira, 4 de junho de 2020

A internet me deixou idiota ? - Carteira do Mês - Junho -2020


Olá amigos, espero que todos vocês estejam bem.

Quando começou a quarentena confesso que fiquei feliz, porque não teria mais que pegar Uber e ônibus horríveis para trabalhar, além de ser obrigado a conviver com a selvageria e falta de educação das pessoas.

Também me animei com o fato de poder ter mais tempo para ler, hábito que adquiri ainda na infância.

Ledo engano, não consegui ainda ler um livro sequer. Passo meus dias com essa coisa do diabo chamado de celular, fico vendo vídeos idiotas, acessando whats app, jogando videogame, desperdiçando meu tempo e minha vida fora atrás desses lixos.

À noite, antes de dormir ainda pego algum livro para dar uma lida, mas minha mente fica cansada e começo a dormir.

Nem de longe tenho a mesma capacidade mental de quando tinha 19, 20 anos. Não consigo mais me concentrar em porcaria nenhuma. Mesmo agora, escrevendo este post, estou ao mesmo tempo ouvindo alguma porcaria na internet.

Minha capacidade cognitiva decaiu muito e me sinto um verdadeiro idiota. Contas de cabeça que conseguia fazer, raciocínios lógicos básicos, tudo perdido.

Mesmo paciência é algo que não consigo ter mais.

E tal como qualquer outra droga, não consigo largar. Nem quando estou no banheiro fico desligado. Fico lá sentado, vendo qualquer porcaria no youtube.

O celular e a internet destruíram minha mente.

E sinto que muitas pessoas ao meu redor estão assim. Outro dia participei de uma reunião de trabalho e disse que não estava fazendo quarentena porque minha esposa está trabalhando e assim, acreditava que esta quarentena não estava sendo efetiva para mim, porque ela poderia se contaminar e trazer para casa. Uma mulher me aparteou e disse que "não concordava comigo" e começou a fazer um discurso dizendo que era fácil para quem era de "classe média" ficar em casa, que os hospitais públicos estavam lotados e que para quem era pobre não dava para fazer quarentena, etc, etc, etc... Ou seja, ela pegou algo pessoal, falou que "não concordava" e depois fez um discurso de frases feitas não relacionado àquilo que falei.

Nem respondi porque primeiro estou num ponto que não preciso provar nada para ninguém e depois percebi que ela também não entenderia, porque argumentos lógicos não surtem mais efeito na mente de ninguém. As pessoas pensam em termos de frases feitas e conceitos simplistas.

A minha mulher falou que o remédio é a abstenção. Mas como fazer isso?

Bem, abaixo a nossa carteirinha de ações que estamos comprando:



Temos ainda, mas não estamos comprando mais: Cielo ON, Eztec ON, Sanepar UNT, Smiles ON, AES Tietê UNT, Tupy ON, Mercantil do Brasil PN, Unipar PNA.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Fui ganancioso e me dei mal (quer dizer, não tão mal assim) - Carteira do Mês - Abril de 2020


Oi pessoal, espero que todos vocês estejam bem.

A minha carteira de investimentos funciona no piloto automático, ou seja, criei um sistema em que pré-defino as porcentagens que cada categoria de ativos deve ter e rebalanceio.

Determinei as seguintes porcentagens: Ouro - 5%, Dólar - 5%, Multimercados e Previdência - 10%, Exterior - 10%, Fundos Imobiliários - 14%, Ações - 28% e Renda Fixa - 28%.

Para cada categoria dessas tenho uma lógica própria de aporte. Sendo assim, sempre que o salário do mês cai, já separo 30% e lanço na categoria que está mais abaixo da porcentagem pré-determinada. Ou seja, se renda fixa está em 25% (abaixo de 28%) e é a que está mais baixa, aporto nesta categoria, que tem uma lógica própria entre SELIC, pré-fixado ou IPCA+.

O contrário também acontece, ou seja, se uma categoria está acima do que é pré-determinado, ou seja, se tenho 8% de ouro (mais que 5%), devo sacar e aportar na categoria mais baixa.

E assim deve ser todos os meses.

Ocorre que nos meses de dezembro de 2019 e janeiro e fevereiro de 2020, a bolsa subiu pra caramba e o mosquitinho da ganância me mordeu. O que deveria ter feito era vendido algumas ações e aportado em dólar e exterior, que eram as categorias que estavam mais baixas, em porcentagem.

Porém, como estava ganhando muita grana todos os dias pensei comigo: "Vou aportando na categoria mais baixa sem vender e mantenho os ganhos na bolsa.". Tinha reforma da previdência e parecia que o Brasil iria andar bem. Alguns bancos até projetavam Ibovespa em 130, 150 mil pontos.

Bem, todos sabem o que aconteceu, veio o vírus e a bolsa despencou e dólar, ouro (principalmente) e exterior arregaçaram.

Aí não tinha mais o que fazer, mantive as ações (não vendi nada na crise do corona), e perdi uma porcentagem considerável dos ganhos do ano passado. Anualizada, a carteira só conseguiu ter um pequeno lucro de 0,8% a.a. hoje (23 de abril de 2020), ou seja, todo o ganho do ano passado evaporou.

Se tivesse vendido as ações em janeiro e fevereiro, que era o que a minha própria técnica dizia para fazer, talvez estivesse até no lucro hoje em dia, mas como diz o título do post, fui ganancioso e me dei mal.

Bem, espero que burro velho aprenda.

Abaixo, nossa carteirinha das ações que estamos comprando:


Temos também Guararapes, Porto Seguro, Banco ABC, Banco Mercantil, Cielo, Sanepar, AES Tietê e Tupy, as quais temos mas no momento não estamos comprando.

No mais, grande abraço à todos.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Os espertalhões que encontramos pela vida - Carteira do mês - Março 2020


Boa tarde amigos, espero que todos estejam bem!

Estou desde outubro do ano passado num processo de reforma de um novo apartamento.

Sendo assim, estou naquele processo de contratar diversas pessoas para trabalhar em casa, como gesseiro, pintor, pedreiro e etc...

É claro que estou com muitos problemas e dores de cabeça. Um dos grandes sinais de que você está num país subdesenvolvido é que a área de serviços é péssima. Temos problemas de atrasos, coisas que são cobradas fora do combinado, falta de qualidade e outros.

Dentro destes problemas que são normais, um foi tão curioso e inusitado que vale um post.

Um desses "profissionais" descobriu que como eu comprei um apartamento novo, eu iria vender o apartamento que moro atualmente. 

Sendo assim, num domingo de manhã, este me contata no Whats Up e deixa um recado assim: "Preciso falar com você urgente sobre seu apartamento". 

Fiquei um pouco assustado porque pensei que era algo relacionado à obra.

Sendo assim, ligo para ele e pergunto qual era o problema.

Ele me diz: "Ô meu amigo... quanto você está pedindo no seu apartamento?".
Eu disse: "Olha meu amigo, ainda não coloquei pra vender, mas algo em torno de 700 mil, mas se não tiver corretor podemos fazer por uns 660 mil"
Aí ele me disse: "Então se eu conseguir um cara por 760 mil você me dá 100 mil de comissão? Eu tô precisando pagar uma dívida" (!!!!)

Fiquei um tempo estupefato e depois respondi: "Mas o senhor sabe fazer contrato, pesquisar antecedentes, dar entrada na prefeitura, etc..."
"Ahh, eu tenho um amigo que tem imobiliária"

Ele depois me falou que confiava em mim, me considerava um amigo, etc, etc, etc e sinceramente não ouvi mais nada, apenas pensando se ele acreditava que eu fosse tão ingênuo a ponto de dar mais de 100 mil reais de comissão apenas por ele ter indicado um comprador.

Bem, na segunda depois ele ainda me falou que não conseguiu falar com o tal "cara" e que o "negócio" iria ficar em "suspenso". Eu não cortei o assunto porque precisava dele pra terminar um serviço e já tinha pago uma parte.

Depois de um tempo ele me ligou e disse que queria falar sobre um "investimento". Me passou um vídeo de um cara que fazia "mineração de ouro" e disse que eu poderia ter participação podendo até duplicar ou triplicar o meu investimento. Depois me disse que era pra apagar os vídeos porque poderia ser "perigoso". Desconversei. Era uma sexta-feira.

No sábado de manhã ele me liga e pede pra eu encontrar com ele num posto de gasolina porque era perto de casa e ele me disse que pra "adiantar" estava com o meu serviço no carro dele e se eu poderia ir lá pegar. Minha esposa ficou com medo de que ele iria me sequestrar e fomos eu, ela e meu sogro pegar o serviço.

Na verdade estava sim pronto o que eu tinha contratado e mais uma vez ele perguntou se eu não havia me interessado pela "mineração de ouro" e eu falei que estava gastando muito na obra e o dinheiro tinha acabado.

Peguei o negócio e dei adeus.

Assim, fica mais uma lição: "Nunca demonstrar que você tem dinheiro para ninguém". No mundo está cheio de gente que quer dar uma bicadinha no que você tem, que nem urubus na carniça. Fiquem na sua, sejam humildes e tranquilos.

Abaixo, a carteirinha de ações que ainda estamos comprando:


Grande abraço!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Grandes ideias que para mim eram óbvias, carteira do mês - Janeiro de 2020


Oi pessoal, espero que todos estejam bem e passaram bons momentos nas festas de fim de ano.

O primeiro livro que li sobre finanças pessoais ou mesmo finanças em geral na minha vida foi o "Pai Rico, Pai Pobre" e conforme já expliquei em outro post, essa leitura teve impacto decisivo na minha vida. Imaginar que um zé mané como eu poderia no futuro ser milionário foi uma ideia por demais sedutora e a partir dali, o caminho que trilhei me livrou de um destino cruel, que é o de trabalhar a vida inteira para outros tendo uma velhice limitada financeiramente. Ainda não sou velho, mas estou em um bom caminho.

Como a educação brasileira é um lixo, só vim a aprender conceitos financeiros acadêmicos anos mais tarde, depois de desenvolver boa parte da minha estratégia de investimentos. Aprendi muita coisa apanhando e fazendo "on the fly" ou seja, um grande "on the job training" de investimentos.

Quando comecei a ler algumas coisas mais densas, fora dos Kyosakis e Gustavos Cerbasis da vida, vi que nas universidades muitos caras concluíam coisas que para mim eram muito óbvias.

A primeira coisa foi a tal "carteira diversificada" do Markowitz. Quando comecei a estudar um pouco mais, vi que a proposta do autor era que se tivéssemos uma carteira diversificada, diminuiríamos o nosso risco, assim poderíamos ter uma melhor rentabilidade. Ora, isso eu já sabia fazia tempo. Desde quando comecei percebi que alguns ativos subiam enquanto outros caíam e no longo prazo um acabava compensando a perda do outro. A diferença é que o Markowitz fez uma descrição matemática da coisa e ganhou um Nobel.

No caso de opções, quando aprendi o que eram pensei: "Bom, para determinar o preço da opção, preciso levar em conta o quanto a ação varia no tempo e quanto mais variável maior o preço da opção varia, porque tem mais risco. Há medida que vai se aproximando a data do vencimento, o preço vai subir ou descer conforme o strike está mais ou menos perto do preço real". Mais uma vez uns tais do Black & Scholes desenvolveram a matemática necessária e ganharam outro Nobel.

Veja bem, não estou dizendo que sou um gênio, longe disso, mas algumas coisas a gente chega na mesma conclusão pensando um pouco e lidando com finanças na prática.

O que mais me espanta são os conceitos da chamada "economia comportamental". A ideia que as emoções nos fazem tomar decisões irracionais eu já sabia fazia tempo. Os conceitos de que "dói mais a perda do que a felicidade do ganho", "as emoções são fator preponderante nos investimentos", "temos tendência de comprar na alta e vender na baixa" eu sempre soube. Pode ser que a economia comportamental não se resuma só a isso, porque não me aprofundei no assunto, mas até o que pude ver, "economia comportamental" é muito bom senso, poder de observação e sabedoria popular. Coisas que aprendemos conforme os anos e anos de investimento passam. Controlar a emoção é o que me fez ter um relativo sucesso.

No caso de Nassim Taleb e os livros "A lógica do cisne negro" e "Iludidos pelo acaso", basta viver  um pouco que você também saberia o que o Taleb fala. O fato que poucos eventos raros e impactantes nos impactam profundamente eu já sabia desde criança, vide meu post de novembro de 2019. O fato de que a sorte tem muito mais influência no nosso sucesso do que nosso próprio mérito, assunto do "Iludidos pelo acaso" também era óbvia para mim. Bastou passar anos e anos no mundo corporativo e ver incompetentes, puxa-sacos e burros subindo na carreira empresarial.

No mais, segue nossa carteirinha de ações que estamos comprando. Está bem reduzida por causa da recente alta das ações:


Destaque para Guararapes com 199% de alta com proventos.
Temos também, mas não estamos mais comprando: Fras-Le, Grendene, Itaúsa, Porto Seguro, Vivo PN, BB Seguridade, Eztec, Santander, Sanepar, Banco Mercantil e Unipar.

Destaque para Eztec, com 238% de alta com proventos. Um fato interessante dessa empresa é que com a bonificação de ações do ano passado o yield da companhia ficou em 24%. Nada mal.

No lado negativo, temos Smiles com baixa de 8% com proventos.

No mais, grande abraço!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Obrigado!

Pelo teor das mensagens de incentivo, vamos voltar, até o ano que vem!

Obrigado a todos!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Adeus!



Analisando a situação calamitosa do convivência humana, decidi não perder mais tempo com este negócio!

Vou me dedicar mais a ler e ajudar as pessoas.

Boa sorte a todos!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Compaixão pelas pessoas, carteira do mês, diversificação da carteira - Dez/2019


O mês de dezembro sempre é um pouco diferente dos outros meses do ano. É uma época de fechamento, de avaliação e de reflexão, pelo menos para mim.

Quando iniciamos nossa caminhada como investidores, geralmente ficamos inflamados e ansiosos para atingirmos rapidamente a independência financeira. Comigo essa ansiedade durou aproximadamente uns 10 anos. Ficava fazendo contas, cálculos, planilhas, elaborando estratégias e lendo livros e publicações sem fim sobre finanças pessoais e investimentos. E comecei a julgar as pessoas por não fazerem o mesmo.

Hoje em dia a carteira anda no piloto automático, faço um aporte por mês, que é automaticamente colocado na categoria em que o percentual pré-determinado encontra-se mais baixo que o planejado, de acordo com a técnica de alocação de ativos. E assim atingi a marca do "F*ck you money" que o Nassim Taleb menciona no Lógica do Cisne Negro.

Neste ano, me senti muito tomado pela compaixão pelas pessoas. Sinto-me muito tocado pelas histórias de desemprego que os motoristas de Uber me contam, fico condoído pelas cenas deploráveis que observo no centro de São Paulo e fico profundamente tocado pelas crianças das favelas de Santo André as quais conheço e procuro ajudar da melhor maneira possível, no trabalho social que participo às quintas-feiras.

Sinto compaixão porque como mencionei no post passado, tive muita sorte em ter os pais e irmãos que tive, além de oportunidades de trabalho que sei que poucas pessoas poderiam ter. O povo brasileiro em geral é um povo muito sofrido e mesmo sabendo da mentalidade passível de críticas do povo, ainda sim tenho muita dó.

Muitas e muitas vezes pensei o que eu mesmo teria feito se tivesse nascido nas mesmas condições, com os mesmos pais e no mesmo tempo que este pessoal. Será que teria feito diferente? Muito provavelmente não. Se eu fosse um jovem de 16 anos que tivesse nascido em Paraisópolis, em família disfuncional e sujeito ao bombardeamento da mídia que estes mesmos jovens sofrem, acredito que não seria diferente.

Pensem bem, meus amigos. Voltem a ter 16 anos. Vocês também não gostariam de ver as menininhas rebolando na sua cara? Não gostariam de andar com os tênis da moda? Não estou defendendo eles, apenas não sei se eu seria diferente. Como disse, tive sorte.

Muitos e muitos sites da blogosfera de finanças metem o pau no povo brasileiro e certamente com razão, mas de alguma maneira, através da idade comecei a perceber que muitas pessoas já nasceram com muitos gols contra e que é muito, mas muito difícil mesmo ascender socialmente e financeiramente, pois a mente das pessoas não recebe o alimento necessário para crescer.

O que estas pessoas recebem é somente incentivo para o que não presta. São como crianças inocentes recebendo diariamente incentivos para se drogar, beber, praticar sexo promíscuo, com pitadas de consumismo, ostentação, violência e egoísmo. E o resultado é o que vemos na rua todos os dias. O mito da caverna de Platão ao vivo e a cores todos os dias.

Sair disso é um ato heroico e aqueles que não conseguem não podem ser condenados, porque é muito, muito difícil mesmo. Aqueles nossos amigos e parentes, nossos pais e outros que amamos devem ser condenados por nós por não terem conseguido? Acho que não. Nós mesmos só tentamos e alguns conseguem muitas vezes por pura sorte.

Sendo assim, nesse ano sugiro a todos nós que tenhamos um pouco mais de compaixão. Falo isso de maneira absolutamente consciente que eu mesmo fui e sou daqueles que só tive críticas ácidas ao que o Pobretão chamava de "chimpas". Vamos parar com isso pessoal, não somos melhores do que ninguém. Fica a proposta do exercício mental: imaginem vocês mesmos nas mesmas condições daqueles que nós criticamos.

No mais, segue abaixo a carteirinha de ações que ainda estamos comprando:


Este mês começamos a diversificar um pouco a carteira, comprando só um pouquinho de opções, fundos de canabidiol, criptoativos e no IPO da XP.

Grande abraço e feliz Natal à todos.