segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Grandes ideias que para mim eram óbvias, carteira do mês - Janeiro de 2020


Oi pessoal, espero que todos estejam bem e passaram bons momentos nas festas de fim de ano.

O primeiro livro que li sobre finanças pessoais ou mesmo finanças em geral na minha vida foi o "Pai Rico, Pai Pobre" e conforme já expliquei em outro post, essa leitura teve impacto decisivo na minha vida. Imaginar que um zé mané como eu poderia no futuro ser milionário foi uma ideia por demais sedutora e a partir dali, o caminho que trilhei me livrou de um destino cruel, que é o de trabalhar a vida inteira para outros tendo uma velhice limitada financeiramente. Ainda não sou velho, mas estou em um bom caminho.

Como a educação brasileira é um lixo, só vim a aprender conceitos financeiros acadêmicos anos mais tarde, depois de desenvolver boa parte da minha estratégia de investimentos. Aprendi muita coisa apanhando e fazendo "on the fly" ou seja, um grande "on the job training" de investimentos.

Quando comecei a ler algumas coisas mais densas, fora dos Kyosakis e Gustavos Cerbasis da vida, vi que nas universidades muitos caras concluíam coisas que para mim eram muito óbvias.

A primeira coisa foi a tal "carteira diversificada" do Markowitz. Quando comecei a estudar um pouco mais, vi que a proposta do autor era que se tivéssemos uma carteira diversificada, diminuiríamos o nosso risco, assim poderíamos ter uma melhor rentabilidade. Ora, isso eu já sabia fazia tempo. Desde quando comecei percebi que alguns ativos subiam enquanto outros caíam e no longo prazo um acabava compensando a perda do outro. A diferença é que o Markowitz fez uma descrição matemática da coisa e ganhou um Nobel.

No caso de opções, quando aprendi o que eram pensei: "Bom, para determinar o preço da opção, preciso levar em conta o quanto a ação varia no tempo e quanto mais variável maior o preço da opção varia, porque tem mais risco. Há medida que vai se aproximando a data do vencimento, o preço vai subir ou descer conforme o strike está mais ou menos perto do preço real". Mais uma vez uns tais do Black & Scholes desenvolveram a matemática necessária e ganharam outro Nobel.

Veja bem, não estou dizendo que sou um gênio, longe disso, mas algumas coisas a gente chega na mesma conclusão pensando um pouco e lidando com finanças na prática.

O que mais me espanta são os conceitos da chamada "economia comportamental". A ideia que as emoções nos fazem tomar decisões irracionais eu já sabia fazia tempo. Os conceitos de que "dói mais a perda do que a felicidade do ganho", "as emoções são fator preponderante nos investimentos", "temos tendência de comprar na alta e vender na baixa" eu sempre soube. Pode ser que a economia comportamental não se resuma só a isso, porque não me aprofundei no assunto, mas até o que pude ver, "economia comportamental" é muito bom senso, poder de observação e sabedoria popular. Coisas que aprendemos conforme os anos e anos de investimento passam. Controlar a emoção é o que me fez ter um relativo sucesso.

No caso de Nassim Taleb e os livros "A lógica do cisne negro" e "Iludidos pelo acaso", basta viver  um pouco que você também saberia o que o Taleb fala. O fato que poucos eventos raros e impactantes nos impactam profundamente eu já sabia desde criança, vide meu post de novembro de 2019. O fato de que a sorte tem muito mais influência no nosso sucesso do que nosso próprio mérito, assunto do "Iludidos pelo acaso" também era óbvia para mim. Bastou passar anos e anos no mundo corporativo e ver incompetentes, puxa-sacos e burros subindo na carreira empresarial.

No mais, segue nossa carteirinha de ações que estamos comprando. Está bem reduzida por causa da recente alta das ações:


Destaque para Guararapes com 199% de alta com proventos.
Temos também, mas não estamos mais comprando: Fras-Le, Grendene, Itaúsa, Porto Seguro, Vivo PN, BB Seguridade, Eztec, Santander, Sanepar, Banco Mercantil e Unipar.

Destaque para Eztec, com 238% de alta com proventos. Um fato interessante dessa empresa é que com a bonificação de ações do ano passado o yield da companhia ficou em 24%. Nada mal.

No lado negativo, temos Smiles com baixa de 8% com proventos.

No mais, grande abraço!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Adeus!



Analisando a situação calamitosa do convivência humana, decidi não perder mais tempo com este negócio!

Vou me dedicar mais a ler e ajudar as pessoas.

Boa sorte a todos!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Compaixão pelas pessoas, carteira do mês, diversificação da carteira - Dez/2019


O mês de dezembro sempre é um pouco diferente dos outros meses do ano. É uma época de fechamento, de avaliação e de reflexão, pelo menos para mim.

Quando iniciamos nossa caminhada como investidores, geralmente ficamos inflamados e ansiosos para atingirmos rapidamente a independência financeira. Comigo essa ansiedade durou aproximadamente uns 10 anos. Ficava fazendo contas, cálculos, planilhas, elaborando estratégias e lendo livros e publicações sem fim sobre finanças pessoais e investimentos. E comecei a julgar as pessoas por não fazerem o mesmo.

Hoje em dia a carteira anda no piloto automático, faço um aporte por mês, que é automaticamente colocado na categoria em que o percentual pré-determinado encontra-se mais baixo que o planejado, de acordo com a técnica de alocação de ativos. E assim atingi a marca do "F*ck you money" que o Nassim Taleb menciona no Lógica do Cisne Negro.

Neste ano, me senti muito tomado pela compaixão pelas pessoas. Sinto-me muito tocado pelas histórias de desemprego que os motoristas de Uber me contam, fico condoído pelas cenas deploráveis que observo no centro de São Paulo e fico profundamente tocado pelas crianças das favelas de Santo André as quais conheço e procuro ajudar da melhor maneira possível, no trabalho social que participo às quintas-feiras.

Sinto compaixão porque como mencionei no post passado, tive muita sorte em ter os pais e irmãos que tive, além de oportunidades de trabalho que sei que poucas pessoas poderiam ter. O povo brasileiro em geral é um povo muito sofrido e mesmo sabendo da mentalidade passível de críticas do povo, ainda sim tenho muita dó.

Muitas e muitas vezes pensei o que eu mesmo teria feito se tivesse nascido nas mesmas condições, com os mesmos pais e no mesmo tempo que este pessoal. Será que teria feito diferente? Muito provavelmente não. Se eu fosse um jovem de 16 anos que tivesse nascido em Paraisópolis, em família disfuncional e sujeito ao bombardeamento da mídia que estes mesmos jovens sofrem, acredito que não seria diferente.

Pensem bem, meus amigos. Voltem a ter 16 anos. Vocês também não gostariam de ver as menininhas rebolando na sua cara? Não gostariam de andar com os tênis da moda? Não estou defendendo eles, apenas não sei se eu seria diferente. Como disse, tive sorte.

Muitos e muitos sites da blogosfera de finanças metem o pau no povo brasileiro e certamente com razão, mas de alguma maneira, através da idade comecei a perceber que muitas pessoas já nasceram com muitos gols contra e que é muito, mas muito difícil mesmo ascender socialmente e financeiramente, pois a mente das pessoas não recebe o alimento necessário para crescer.

O que estas pessoas recebem é somente incentivo para o que não presta. São como crianças inocentes recebendo diariamente incentivos para se drogar, beber, praticar sexo promíscuo, com pitadas de consumismo, ostentação, violência e egoísmo. E o resultado é o que vemos na rua todos os dias. O mito da caverna de Platão ao vivo e a cores todos os dias.

Sair disso é um ato heroico e aqueles que não conseguem não podem ser condenados, porque é muito, muito difícil mesmo. Aqueles nossos amigos e parentes, nossos pais e outros que amamos devem ser condenados por nós por não terem conseguido? Acho que não. Nós mesmos só tentamos e alguns conseguem muitas vezes por pura sorte.

Sendo assim, nesse ano sugiro a todos nós que tenhamos um pouco mais de compaixão. Falo isso de maneira absolutamente consciente que eu mesmo fui e sou daqueles que só tive críticas ácidas ao que o Pobretão chamava de "chimpas". Vamos parar com isso pessoal, não somos melhores do que ninguém. Fica a proposta do exercício mental: imaginem vocês mesmos nas mesmas condições daqueles que nós criticamos.

No mais, segue abaixo a carteirinha de ações que ainda estamos comprando:


Este mês começamos a diversificar um pouco a carteira, comprando só um pouquinho de opções, fundos de canabidiol, criptoativos e no IPO da XP.

Grande abraço e feliz Natal à todos.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

O acaso e alguns detalhes fazem toda a diferença - Carteira do mês - Nov/2019


Olá pessoal, espero que todos vocês estejam bem.

Atualmente pego Uber todos os dias para um trecho da ida e volta ao trabalho. Sendo assim, converso diariamente com as mais diversas pessoas.

São ex-taxistas, manos da periferia, tiozões, várias mulheres e na maioria dos casos homens que perderam os empregos e resolveram enfrentar o trânsito de SP a fim de descolar um troco e conseguir sobreviver.

Os casos que mais me espantam são de homens que tinham bons empregos e por falta de uma estrutura melhor tiveram que recorrer a ser Uber para conseguirem manter-se. Um traço em comum é que estas pessoas geralmente são mais educadas, sabem falar melhor e geralmente estão ouvindo a Alpha FM ou a Antena 1. Geralmente estes são os que já fazem questão de dizer que estão nesta situação temporariamente, pelo desemprego, como se isso fosse algum demérito. Não penso assim.

Ainda ontem peguei um carro em que o homem tinha seus 55 anos e me falou que a situação apertou um pouco e ele está de Uber para poder complementar a renda, até "se aposentar".

Esta situação me causou um frio na espinha, pois eu aos 45 já me acharia "velho" para começar a constituir minha carteira. Se com 7 dígitos eu fico com receio que ainda não teria uma velhice tranquila, imagina com 55 e quebrado.

O fato é que eu poderia muito facilmente estar na mesmíssima situação.

Pequenos detalhes me ajudaram na vida.

O primeiro foi ter pais que fizeram questão que eu estudasse na melhor escola que eles poderiam pagar. Desde a mais tenra idade educação foi a prioridade número 1 em casa e eu nunca podia tirar menos do que 8 em qualquer matéria. A mentalidade do meu pai era que nosso "trabalho" era estudar e para isso não tínhamos que ter tempo ruim. Nunca perdi aula por causa de feriados prolongados para a família voltar na segunda-feira e mesmo durante um tempo em que meu pai ficou desempregado ele continuou a pagar um dos melhores colégios do ABC para mim e meus irmãos. Isso fez uma grande diferença.

Me formei e comecei a trabalhar na área mas vi que o futuro era incerto para minha área de formação (o que realmente se concretizou). Um dia por acaso minha mãe me falou : "Tem uma carta pra você". Era uma carta de uma grande empresa contratando recém-formados. Fui como quem não quer nada e fui contratado. A empresa foi uma grande escola pra mim. Lá conheci o mundo (trabalhei em 6 países diferentes) e aprendi a falar inglês, um sonho de infância. Sair da empresa em que estava e ir para essa outra foi de novo uma grande diferença.

Tive a felicidade de por acaso ler o livro "Pai Rico, Pai Pobre", emprestado por um colega de trabalho e de novo isso mudou mais uma vez minha vida. O fato de ter começado jovem me ajudou muito na constituição da carteira. Comecei rigorosamente do zero, pois aos 25 anos meu pai já era falecido e a herança deixada foi a casa onde morávamos, sem dinheiro algum ou bens.

Finalmente, encontrei uma mulher maravilhosa, que pensa como eu e é a companheira de todas as horas. Confiamos totalmente um no outro e para vocês terem uma ideia, o salário dela é depositado diretamente na minha conta corrente (que é conjunta, mas ela não acessa muito). Ela não é consumista, não bebe (assim como eu) e caminha lado a lado comigo. É conservadora, religiosa e se comporta como uma verdadeira dama.

Acredito que tudo o mais que aconteceu antes de nada valeria se tivesse casado com uma mulher ruim. Tenho um conhecido que assumiu uma mãe solteira com filha, comprou apartamento junto e depois descobriu que ela traía ele fazia 2 anos com um cara que os dois conheciam. Eles estão vendendo a casa agora e além de ele ficar com 30% apenas do imóvel, ela ainda vai ficar com os outros 70% e mais o carro. Ou seja, o rapaz está com a vida semi destruída, aos 44 anos de idade.

Acredito que a decisão mais importante de um homem é com quem se casar, se for se casar. O mesmo rigor que temos ao comprar uma ação, um carro ou uma casa, temos que ter com a mulher com quem passaremos a viver. Observem como ela se comporta, se é educada e amorosa com os pais, se tem bondade e boa vontade. Se for mulher que fala palavrão, bebe, gosta de balada e tatuagem, SAIAM FORA PELO AMOR DE DEUS.

O fato é que se não tivesse tido pais que focassem educação, trocado de emprego para abrir a cabeça, lido o Pai Rico e conhecido a minha esposa, poderia muito bem ser eu o Uber. Poderia facilmente ser mais um com quase cinquenta anos, sem um centavo no bolso e tendo que aguentar falta de educação e selvageria no trânsito para ganhar algum trocado.

No mais segue a carteirinha das ações que estamos comprando:


No mais grande abraço!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O homem mais rico que já conheci - Carteira do Mês - Outubro de 2019


Olá amigos, espero que esteja tudo bem com vocês.

No mês passado não houve postagem porque tirei o mês inteiro de férias e viajei com minha esposa pelo país. Fui para a praia e para o meio do mato.

Nestas andanças pude descansar, andei que nem um camelo, li horas seguidas e tive ótimas conversas com seres humanos, o que já não é mais possível se fazer em São Paulo.

Neste meio tempo, pude conhecer um dos homens mais ricos que pude ter contato pessoal. Trata-se de alguém que possui uma casa num vale tranquilo, sem barulho, sem vizinhos e com a sua própria cota de natureza especial no quintal.

Não se trata de um milionário ou de alguém metido a rico, como vi muitos quando finalizei minha estada em campos de gordão.

Não. Se trata de alguém que conseguiu atingir um estado de paz, que se comporta como um verdadeiro ser humano, com gentileza e irmandade. De fala mansa e sem pressa.

Esta é a maior riqueza que alguém pode almejar, ter paz de espírito.

Esse magnata nem sabe o que é blog, rede social e outras merdas.




Falar sobre investimentos, tesouro direto e ações com alguém que atingiu este nível não faz sentido. Quem sabe um dia chegamos lá?

No mais, mudei um pouco a alocação de ativos de carteira, hoje temos: 12% em fundos imobiliários, 24% em ações, 8% em fundos multimercados/previdência, 6% em ouro, 7% em dólar, 24% em renda fixa (exclusivamente tesouro direto), 1% em criptomoedas e 18% em investimentos no exterior.

Seguimos a técnica de monitorar mês a mês e alocamos 30% do nosso salário naquelas categorias cujo porcentual mais caiu durante o mês.

Segue abaixo a carteirinha de ações que ainda estamos comprando:


Destaque para Guararapes com alta de 132% com proventos e Itaúsa com 93%. No lado negativo temos Smiles com queda de 10%. Temos ainda Eztec, que não estamos comprando mais, com alta de 141%, além de Santander, Sanepar, AES Tietê e Unipar que temos mas no momento não estamos comprando.

No mais, um abraço!

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Quando parar? - Carteira do Mês - Agosto de 2019


No post passado, foi comentado por um leitor que por já ter passado uma certa quantia de patrimônio, eu pudesse parar e modificar o estilo de vida, trabalhando mais perto de casa e podendo ter uma existência mais tranquila.

O fato é que esta decisão é algo extremamente difícil de tomar. Especialmente nas condições de hoje. A quantia mítica do milhão, quando eu tinha pouco mais de vinte anos, era algo impensável. Era como alguém dizer para mim que no futuro eu poderia ter minha própria ilha. Tão distante quanto conhecer os Estados Unidos, quando eu era criança.

Morando em uma casa que não tinha nem forro no teto do banheiro e passando por baixo das catracas dos ônibus quando ia para o centro da cidade com minha mãe, certas coisas eram apenas sonhos, fantasias da minha mente infantil e depois adolescente.

O fato é que pouco a pouco estas fantasias foram se realizando. Tenho um apartamento muito melhor que a minha casa de infância (materialmente falando, pois a casa da infância sempre será a melhor de todas, para a vasta grande maioria das pessoas) e hoje tomo ônibus apenas por capricho, pois poderia perfeitamente ir e vir de Uber todos os dias do ABC para São Paulo. Conheci vários países e lugares e há muito já até enjoei de viajar. Hoje em dia gosto de ficar em casa.

Um dos problemas que temos quando chegamos em certa idade e patrimônio é um certo medo. Medo porque de certa maneira temos uma situação confortável, porém, não sabemos do futuro, do que nos acontecerá e o que acontecerá com aqueles que amamos. Medo de perder aquilo que conquistamos.

Sim, poderia parar de trabalhar e ter uma vida frugal eu e a minha esposa. Mas e se minha mãe precisar de algo? E se meus sogros precisarem de algo, ou meus irmãos e sobrinhas? O fato é que à medida que o patrimônio aumenta, na minha mente existe uma certa "culpa" por ter mais dinheiro que aqueles que amamos e de certa forma assumimos responsabilidades por eles, mesmo que somente na nossa mente.

Nunca me sentiria bem vivendo em um bom lugar com minha mãe, sogros, irmãos e sobrinhas vivendo mal, ou com dificuldades financeiras. É claro que se meu capital fosse umas dez vezes maior não teríamos essa preocupação, porque poderíamos ajudar todos com folga, mas estamos naquela tênue situação de ainda não termos nem como nos manter, se acontecesse alguma catástrofe, mesmo com cifras de 6 dígitos.

Assim, julgo que me faltam ainda alguns bons anos, para ter mais segurança de sentar e relaxar. Mas mesmo assim, vivemos com aquela famosa frase "Quer fazer Deus sorrir? Conte-lhe seus planos."

A seguir nossa carteirinha de ações

No mais, grande abraço!