sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Quando parar? - Carteira do Mês - Agosto de 2019


No post passado, foi comentado por um leitor que por já ter passado uma certa quantia de patrimônio, eu pudesse parar e modificar o estilo de vida, trabalhando mais perto de casa e podendo ter uma existência mais tranquila.

O fato é que esta decisão é algo extremamente difícil de tomar. Especialmente nas condições de hoje. A quantia mítica do milhão, quando eu tinha pouco mais de vinte anos, era algo impensável. Era como alguém dizer para mim que no futuro eu poderia ter minha própria ilha. Tão distante quanto conhecer os Estados Unidos, quando eu era criança.

Morando em uma casa que não tinha nem forro no teto do banheiro e passando por baixo das catracas dos ônibus quando ia para o centro da cidade com minha mãe, certas coisas eram apenas sonhos, fantasias da minha mente infantil e depois adolescente.

O fato é que pouco a pouco estas fantasias foram se realizando. Tenho um apartamento muito melhor que a minha casa de infância (materialmente falando, pois a casa da infância sempre será a melhor de todas, para a vasta grande maioria das pessoas) e hoje tomo ônibus apenas por capricho, pois poderia perfeitamente ir e vir de Uber todos os dias do ABC para São Paulo. Conheci vários países e lugares e há muito já até enjoei de viajar. Hoje em dia gosto de ficar em casa.

Um dos problemas que temos quando chegamos em certa idade e patrimônio é um certo medo. Medo porque de certa maneira temos uma situação confortável, porém, não sabemos do futuro, do que nos acontecerá e o que acontecerá com aqueles que amamos. Medo de perder aquilo que conquistamos.

Sim, poderia parar de trabalhar e ter uma vida frugal eu e a minha esposa. Mas e se minha mãe precisar de algo? E se meus sogros precisarem de algo, ou meus irmãos e sobrinhas? O fato é que à medida que o patrimônio aumenta, na minha mente existe uma certa "culpa" por ter mais dinheiro que aqueles que amamos e de certa forma assumimos responsabilidades por eles, mesmo que somente na nossa mente.

Nunca me sentiria bem vivendo em um bom lugar com minha mãe, sogros, irmãos e sobrinhas vivendo mal, ou com dificuldades financeiras. É claro que se meu capital fosse umas dez vezes maior não teríamos essa preocupação, porque poderíamos ajudar todos com folga, mas estamos naquela tênue situação de ainda não termos nem como nos manter, se acontecesse alguma catástrofe, mesmo com cifras de 6 dígitos.

Assim, julgo que me faltam ainda alguns bons anos, para ter mais segurança de sentar e relaxar. Mas mesmo assim, vivemos com aquela famosa frase "Quer fazer Deus sorrir? Conte-lhe seus planos."

A seguir nossa carteirinha de ações

No mais, grande abraço!

4 comentários:

  1. ABC esse leitor que você citou deve ter sido eu, eu comentei no post passado.
    E fiz aquele comentário porque acho que todo mundo deve saber reconhecer seus limites, até pra evitar problemas de saúde, emocionais ou familiares futuros.

    O Investidor Precoce fez um post relatando a trajetória dele em busca da IF e nisso citou suas conquistas e problemas.
    Acho que muitos que se dedicam demais a um objetivo, geralmente material acabam perdendo meio que o bom senso ou simplesmente não conseguem parar, desacelerar.
    Nunca teremos tudo e nunca estaremos 100% prontos para nada, isso é ilusão. Também venho dentro das minhas limitações buscando fazer meu pé de meia e sei que não é fácil e demanda tempo e entendo sua preocupação, mas a pessoa deve estar ciente de quais preços pode pagar por isso e com relação a preocupação com terceiros sugiro especialmente no caso de seus irmãos e suas sobrinhas orientá-las a construir o próprio patrimônio não se obrigue a fazer isso por quem pode fazer.
    No caso da mãe provavelemente idosa entendo que ela já não tem a mesma oportunidade aí sim cabe um cuidado diferenciado.
    Mas não queira ser você a solução dos problemas de todos os outros em especial que pode de fato fazer algo por si mesmo.
    Se não for assim você vai trabalhar pesado até os 80 anos (pros outros) que talvez nem estejam lembrando de você.

    Então cuidado, equilíbrio é fundamental. Tem vários casos de pais que trabalham anos a fio, as vezes em trabalhos pesados para construir patrimônio para os filhos (as) que depois torram tudo em pouco tempo sem a menor consideração.

    Quer ajudar irmãos e sobrinhas? (especialmente as sobrinhas que devem ser mais jovens) ajude se possível com orientações sobre mercado de trabalho, profissões, investimentos (como serem independentes financeiramente) e sobretudo a como se tornarem pessoas íntegras, lutarem para manter a sua dignidade e agir com ética. Que elas não se tornem mulheres compráveis (como Infelizmente muitas são) e diria a mesma coisa sobre homens (muitos estão a venda).
    Sua maior contribuição ao meu ver é essa.
    Fora isso as respostas para sua vida só você tem. Mas sugiro estar tendo a saúde e sinais de stresse exagerado.

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  2. Muito correta e equilibrada a sua opinião, "viver de renda" e ter uma vida frugal não dá plena segurança, há muitas variáveis em jogo como você mesmo disse na postagem sobre problemas familiares. o que vejo também é que muitos confundem IF com ser rico !!

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    1. Olá, obrigado pelo comentário. Eu não diria que sejam problemas familiares, mas apenas que se porventura acontecer algo com alguém que amamos não nos sentiríamos bem de não ajudar.

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